segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Todo Torto (ou ainda: Dois Tortos não se Desentortam)
É com certo receio que começo a escrever esse texto. Não sei, algo que incomoda. Algo não me deixa despejar tudo o que eu quero, o que é bem estranho, contraria justamente o que diz a psicanálise, que quando a gente precisa dizer algo e não sabe como, a gente arranja outro método pra fazer isso. Algum demônio talvez queira que os meus pensamentos tortos ecoem para todo o sempre na minha cabeça, não me deixando libertar deles, jogar fora, mudar, sabe-se lá o que.
Falando em tortura, no sentido torto da coisa, concluo que dois tortos jamais se desentortam. Depois de pensar um tanto com as coisas que me incomodam, chego a isso. Não estou aqui pra competir com ela quem é mais torto, cada um do seu jeito torto de ser. Não, não tem como. Odeio ter de dizer isso, mas a verdade é essa: não tô aqui pra desentortar ninguém. Eu é que preciso disso. Mas ela tem sim jeito de desentortar. Resta saber, primeiramente, se ela quer isso. Provavelmente não quer, não agora. E mesmo que não queira, se for realmente do interesse do desentortador, ele pode meio que forçá-la a isso. Não necessariamente forçar, talvez, e sim mais convencê-la a isso, persuadir. Coisa que eu poderia fazer, caso realmente estivesse disposto a tal. E não, de fato, não estou. Estou cansado, torto, precisando de um colete.
Ou ainda também precisando de novos óculos, lunetas, telescópios, microscópios, troquem-me os olhos, pois eles não conseguem ver o mundo do jeito que deveria ver. Os meu naturais parecem distorcerem a realidade, deixando tudo pior, quando na verdade é assim que as coisas deveriam ser, cada qual no seu contexto, cada um no seu quadrado. Ah, olha que coisa, também minha vista é torta, como se não bastasse o resto do corpo. Resto da mente. Resto do resto.
Apesar de ser um tanto de verdade tudo o que disse, e outro tanto sendo exagero, porque assim que também a vida é, tudo aqui é uma grande metáfora. As imagens, os substantivos, o poema como um todo. Tudo.
E esse parágrafo de cima era original do texto, mas resolvi tirar e deixar sendo um comentário meu em off. Sei lá, ele estraga o final.
Falando em tortura, no sentido torto da coisa, concluo que dois tortos jamais se desentortam. Depois de pensar um tanto com as coisas que me incomodam, chego a isso. Não estou aqui pra competir com ela quem é mais torto, cada um do seu jeito torto de ser. Não, não tem como. Odeio ter de dizer isso, mas a verdade é essa: não tô aqui pra desentortar ninguém. Eu é que preciso disso. Mas ela tem sim jeito de desentortar. Resta saber, primeiramente, se ela quer isso. Provavelmente não quer, não agora. E mesmo que não queira, se for realmente do interesse do desentortador, ele pode meio que forçá-la a isso. Não necessariamente forçar, talvez, e sim mais convencê-la a isso, persuadir. Coisa que eu poderia fazer, caso realmente estivesse disposto a tal. E não, de fato, não estou. Estou cansado, torto, precisando de um colete.
Ou ainda também precisando de novos óculos, lunetas, telescópios, microscópios, troquem-me os olhos, pois eles não conseguem ver o mundo do jeito que deveria ver. Os meu naturais parecem distorcerem a realidade, deixando tudo pior, quando na verdade é assim que as coisas deveriam ser, cada qual no seu contexto, cada um no seu quadrado. Ah, olha que coisa, também minha vista é torta, como se não bastasse o resto do corpo. Resto da mente. Resto do resto.
Apesar de ser um tanto de verdade tudo o que disse, e outro tanto sendo exagero, porque assim que também a vida é, tudo aqui é uma grande metáfora. As imagens, os substantivos, o poema como um todo. Tudo.
E esse parágrafo de cima era original do texto, mas resolvi tirar e deixar sendo um comentário meu em off. Sei lá, ele estraga o final.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Boa Sote II
É com o pesar das balanças, ou não, que mais uma vez venho dar um ponto final. A história se segue há meses, com certas reviravoltas no seu decorrer. O problema é que todas elas foram sempre iguais. Das primeira vezes, eram coisas grandiosas. Mas depois de um tempo, tornou-se tudo o mesmo, a mesma rotina, o mesmo vai e vem. Isso desgasta.
E cansa.
Cansa que me vem a necessidade de expressar esse cansaço. Não me sairei tão bem como quando escrevi a outra, nos idos de 2007, mas tento mesmo assim. Talvez da outra vez, devido à inexperiência minha na ocasião, o texto fluiu melhor, mais sentimental e explosivo. Sim, eu também estava cansado, mas o sentimento de agora diverge um tanto quanto da outra vez. Ambas foram sim bastante intensas e por vezes amarga. Porém, não sei porque ao certo, agora me sinto mais fatigado do que decepcionado.
É cruel, o vai e vem de agora me causou muitas falsas esperanças que foram despedaçadas dali a poucas semanas que foram criadas. Apesar de tudo, o problema é unicamente meu. Eu que me preocupei com isso, eu que pensei o que pensei e cheguei onde cheguei. Ela não tem culpa. Pelo contrário, ela é inocente. Até demais.
Por essas e outras que achei digno o título que dei. Não só porque me remete a um período passado da minha vida, um outro caso com seus pontos em comum e outros tantos em total divergência. Mas também, porque é verdade - Boa Sorte, você precisará. Apesar dos pesares, eu quero que você seja feliz, se dê bem na vida, brilhe como quando por vezes o faz pelos corredores do IEL. Mas com a cabeça-dura que tem, só me resta mesmo desejar-lhe felicidades.
Porque, pra abrir os seus olhos, é preciso um esforço muito grande, estupidamente forte, o qual eu não fui capaz de fazer.
Boa Sorte.
Você precisará.
E cansa.
Cansa que me vem a necessidade de expressar esse cansaço. Não me sairei tão bem como quando escrevi a outra, nos idos de 2007, mas tento mesmo assim. Talvez da outra vez, devido à inexperiência minha na ocasião, o texto fluiu melhor, mais sentimental e explosivo. Sim, eu também estava cansado, mas o sentimento de agora diverge um tanto quanto da outra vez. Ambas foram sim bastante intensas e por vezes amarga. Porém, não sei porque ao certo, agora me sinto mais fatigado do que decepcionado.
É cruel, o vai e vem de agora me causou muitas falsas esperanças que foram despedaçadas dali a poucas semanas que foram criadas. Apesar de tudo, o problema é unicamente meu. Eu que me preocupei com isso, eu que pensei o que pensei e cheguei onde cheguei. Ela não tem culpa. Pelo contrário, ela é inocente. Até demais.
Por essas e outras que achei digno o título que dei. Não só porque me remete a um período passado da minha vida, um outro caso com seus pontos em comum e outros tantos em total divergência. Mas também, porque é verdade - Boa Sorte, você precisará. Apesar dos pesares, eu quero que você seja feliz, se dê bem na vida, brilhe como quando por vezes o faz pelos corredores do IEL. Mas com a cabeça-dura que tem, só me resta mesmo desejar-lhe felicidades.
Porque, pra abrir os seus olhos, é preciso um esforço muito grande, estupidamente forte, o qual eu não fui capaz de fazer.
Boa Sorte.
Você precisará.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Mais nadas
Cansando de cansar-se sem razão
Raciocinando o não sentir dos vazios
E racionando os sorrisos estirados e acomodados dos brilhos dos olhos que fecham.
Cada palavra faltosa,
Cada suspiro mal escondido
Cada papel em branco amarelado com o tempo
E cada tempo passado é um subjuntivo feroz
E cada ferocidade minha é um império sem fim
Que se acaba a cada começar de um novo nada.
Fui - e sempre que era, pensava em como ser
e quando despenso em como será
repenso o que fui, e ignoro o que ainda é, o que já é, o que não é e não deixa de ser.
Cada diferença das semelhanças
cada cutucar do marasmo das lembranças presentes
leva ao fundo do poço cheio de memórias sorridentes e sadias
Ao preencher de informação o que agora tanto vazio preenche com nada.
Ora, combino e descombino palavra
coloco pensamento, força, sentimento e vazio em tudo
E tanto tudo que tento abranger em tão pouco é
que nada expresso, nada devolvo, nada resolvo
Tanta resolução mal caminhada,
tanto caminho não caminhado - corrido, desesperado
parado
Que já não sei, de novo, saber porque saber é necessário
E desmereço a sapiência, a ciência, a paciência...
... e ao nada retorno tudo que me chega.
Raciocinando o não sentir dos vazios
E racionando os sorrisos estirados e acomodados dos brilhos dos olhos que fecham.
Cada palavra faltosa,
Cada suspiro mal escondido
Cada papel em branco amarelado com o tempo
E cada tempo passado é um subjuntivo feroz
E cada ferocidade minha é um império sem fim
Que se acaba a cada começar de um novo nada.
Fui - e sempre que era, pensava em como ser
e quando despenso em como será
repenso o que fui, e ignoro o que ainda é, o que já é, o que não é e não deixa de ser.
Cada diferença das semelhanças
cada cutucar do marasmo das lembranças presentes
leva ao fundo do poço cheio de memórias sorridentes e sadias
Ao preencher de informação o que agora tanto vazio preenche com nada.
Ora, combino e descombino palavra
coloco pensamento, força, sentimento e vazio em tudo
E tanto tudo que tento abranger em tão pouco é
que nada expresso, nada devolvo, nada resolvo
Tanta resolução mal caminhada,
tanto caminho não caminhado - corrido, desesperado
parado
Que já não sei, de novo, saber porque saber é necessário
E desmereço a sapiência, a ciência, a paciência...
... e ao nada retorno tudo que me chega.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Last Kiss
"She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world."
(...) E então, sob àquela noite de dezembro, o casal de amigos iria se despedir para as férias. Longo período este. O dia era quente, como bem o mês estava acostumado a ser, devido ao verão. Ele pegou as mãos dela e assim ficaram se olhando. Ocorreu o abraço, consideravelmente longo em comparação aos abraços corriqueiros do dia a dia.
- Boas férias - disse ela
De súbido, ele abraçou-a mais uma vez, segurou-lhe o pescoço com as mãos e repentinamente a beijou. O selinho básico, porém, divisor de águas. Ela ficou sem entender o que se tratava.
- Ótimas férias - completou ele
- Mas o que...?
- Não. Não diz nada. Eu precisava fazer isso, nem que fosse a última coisa que faria
Separando-se da garota, ele pegou sua mochila que estava no chão, aos seus pés. Abriu-a, mexeu um tanto e tirou um revólver. Seus olhos marejaram. Ela ficou extremamente espantada. Ele abriu o tambor e mostrou à garota que havia apenas uma bala nele. Fechou-o e girou, dando ao acaso que escolhesse a posição da única.
Tão repentino como lhe fora o beijo, ele colocou o cano sobre sua cabeça. Ela, temendo o que aconteceria, não deixou que o tiro se consumisse. Vendo que a menina iria impedi-lo, ele logo puxou o gatilho enquanto a outra ia em direção para que isso não acontecesse.
O tiro.
Falhou.
Não estava presente a bala.
Sabendo que não teria a mesma sorte de novo, rapidamente ele puxou pela segunda vez o gatilho. Porém, no que ele fez isso, ela já estava segurando a arma, tal qual ele. Ele, apontando pra cabeça do próprio, e ela, tirando do lugar. O que aconteceu foi que dessa vez o tiro aconteceu de verdade. O projétil saiu do cano. Mas com o agito da situação, a disputa entre forças, a rapidez do momento, ninguém percebeu que justo nessa hora o cano da arma estava apontado para a garota.
Metaforicamente, o tiro saiu pela culatra.
Eu levantei da cama, liguei o note e escrevi isso.
So I can see my baby when I leave this world."
(...) E então, sob àquela noite de dezembro, o casal de amigos iria se despedir para as férias. Longo período este. O dia era quente, como bem o mês estava acostumado a ser, devido ao verão. Ele pegou as mãos dela e assim ficaram se olhando. Ocorreu o abraço, consideravelmente longo em comparação aos abraços corriqueiros do dia a dia.
- Boas férias - disse ela
De súbido, ele abraçou-a mais uma vez, segurou-lhe o pescoço com as mãos e repentinamente a beijou. O selinho básico, porém, divisor de águas. Ela ficou sem entender o que se tratava.
- Ótimas férias - completou ele
- Mas o que...?
- Não. Não diz nada. Eu precisava fazer isso, nem que fosse a última coisa que faria
Separando-se da garota, ele pegou sua mochila que estava no chão, aos seus pés. Abriu-a, mexeu um tanto e tirou um revólver. Seus olhos marejaram. Ela ficou extremamente espantada. Ele abriu o tambor e mostrou à garota que havia apenas uma bala nele. Fechou-o e girou, dando ao acaso que escolhesse a posição da única.
Tão repentino como lhe fora o beijo, ele colocou o cano sobre sua cabeça. Ela, temendo o que aconteceria, não deixou que o tiro se consumisse. Vendo que a menina iria impedi-lo, ele logo puxou o gatilho enquanto a outra ia em direção para que isso não acontecesse.
O tiro.
Falhou.
Não estava presente a bala.
Sabendo que não teria a mesma sorte de novo, rapidamente ele puxou pela segunda vez o gatilho. Porém, no que ele fez isso, ela já estava segurando a arma, tal qual ele. Ele, apontando pra cabeça do próprio, e ela, tirando do lugar. O que aconteceu foi que dessa vez o tiro aconteceu de verdade. O projétil saiu do cano. Mas com o agito da situação, a disputa entre forças, a rapidez do momento, ninguém percebeu que justo nessa hora o cano da arma estava apontado para a garota.
Metaforicamente, o tiro saiu pela culatra.
Eu levantei da cama, liguei o note e escrevi isso.
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